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Mas estas avalanchas motivadas pelas tendências são casos comuns nas crônicas, cabendo à história, no tempo oportuno, administrar o direito de sobrevivência. No caso em exame, os sobreviventes não são numerosos desde a época em que Ciurlionis, Kandinsky, Mondrian agitaram as águas do antifigurativo aos cuidados do Cubismo. Depois será a transferência para o Abstracionismo a ganhar popularidade. E Mabe tornou-se, no Brasil, o representante mais vivo da tendência.
Sua índole tinha o destino de fazer saber por intermédio da simbologia da cor. Não precisava de intermediações entre idéia e notação: o manifestar no universo das formas da caligrafia tornou-se estímulo para manifestar-se na linguagem da cor. Mabe pôs-se à obra sem hesitações: quem o viu manejar o pincel improvisando caracteres no papel de seda estendido no chão, com segurança natural, imagina como surgem aquele lançar de cor rápido, formas planas tendentes a uma amplidão mágica, às vezes harmonizadas num único tom, outras em chocantes contrastes, outras ainda equilibradas nos preciosos arabescos das nuanças amigas.
O resultado é sempre uma sonoridade cromática: intensa, exaltada, vizinhança de cores em estreita relação de tons atingindo uma espacialidade luminosa. Fugindo do relativo, Mabe aponta um abstracionismo rigorosamente absoluto para confirmar a ausência de recursos que possam lembrar preferências figurativas. |